Antes da farda, existe uma família esperando

Antes de vestir a farda, o policial é alguém que pode acordar atrasado, procura a chave que sumiu misteriosamente e toma café já frio. Ele (ou ela) também tem família, contas pra pagar, sonhos simples e uma vida que pulsa fora do quartel.

Quando sai de casa para trabalhar, não sai apenas para cumprir uma escala. Sai deixando um beijo apressado, um “se cuida” e, muitas vezes, uma pergunta que ninguém gosta de fazer em voz baixa: “Será que volto hoje?” É nesse momento íntimo que mora a coragem: proteger a sociedade, todos os dias, é sair para o trabalho deixando quem se ama esperando em casa.

Valorizar esse profissional vai muito além de aplausos. Valorização é reconhecimento concreto que deve envolver salário justo, auxílio-alimentação compatível com a responsabilidade da função, condições dignas de trabalho e escalas que não esgotem o corpo nem afastem a alma da família. É permitir que o policial e a policial possam ver os filhos crescerem, estar presentes, viver — e não apenas sobreviver.

A realidade, infelizmente, ainda está distante disso. Policiais militares e bombeiros militares enfrentam a falta de reposição salarial, um auxílio-alimentação inferior ao de outros servidores públicos e jornadas exaustivas. No interior, então, a distância pesa ainda mais. São longos deslocamentos, escalas puxadas e o afastamento forçado de casa para cumprir missões em outras regiões do Estado.

O pior que geralmente a conta não fecha. Porque quem cuida da segurança de todos também precisa ser cuidado. Polícia não é máquina, não é número, não é apenas farda. É gente. Gente que sente, que ama, que tem sonhos, que ri e que, mesmo assim, sai de casa todos os dias para proteger quem nunca viu.

Valorizar homens e mulheres da segurança pública não é privilégio. É justiça.

 

 

 

 

 

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