Um sargento da Polícia Militar (PM) de Pernambuco foi alvo de uma punição administrativa após a corporação considerar que o bigode usado por ele não seguia os critérios de apresentação pessoal. A sanção aplicada foi de três dias de detenção disciplinar, decisão que ainda não é definitiva, porque está sendo contestada pela defesa.
O militar é Samuel de Araújo Lima, que soma 35 anos de serviço na PM e atua atualmente na Companhia Independente de Apoio ao Turista (CIATur). Segundo o advogado que o representa, o sargento mantém o mesmo visual há vários anos, sem nunca ter sido advertido anteriormente, inclusive em ocasiões oficiais.
De acordo com a defesa, a notificação ocorreu durante uma fiscalização de rotina enquanto Samuel trabalhava em um serviço extraordinário, conhecido como PJES (Programa de Jornada Extra de Segurança). Nesse tipo de escala, policiais realizam atividades adicionais semelhantes a horas extras. Durante a verificação, uma capitã teria avaliado que o bigode ultrapassava o limite permitido pelas normas internas.
O advogado de Samuel afirmou, em entrevista, que não houve qualquer denúncia formal contra o sargento e que a observação partiu exclusivamente da fiscalização em campo. A punição foi registrada em boletim interno da corporação no dia 13 de janeiro deste ano.
Procurada, a Polícia Militar informou que a penalidade segue o que está previsto no Suplemento Normativo n° 68, em vigor desde outubro de 2020. O regulamento estabelece que o uso de bigode é permitido, desde que seja discreto, bem aparado, não ultrapasse a linha do lábio superior e esteja devidamente registrado na identidade funcional do militar.
Segundo a PM, a detenção aplicada tem caráter administrativo e não afasta o policial de suas funções operacionais. A defesa relata que a notificação causou surpresa ao sargento, que precisou ajustar imediatamente o visual para se adequar às exigências. O recurso apresentado não foi acolhido em um primeiro momento, mas ainda há possibilidade de reconsideração da decisão.
Além disso, o advogado do policial destacou um episódio ocorrido em 2024, quando Samuel foi recebido pelo comandante-geral da Polícia Militar após um ato de bravura. Na ocasião, o sargento prendeu em flagrante um suspeito de latrocínio enquanto se deslocava para o trabalho e apreendeu uma arma de fogo. Segundo a defesa, o policial utilizava o mesmo bigode naquela época e chegou a ser elogiado pela conduta.